Em carta a Domingos José de Almeida, que exercera o cargo de Secretário da Fazenda da República de Piratini, Giuseppe Garibaldi lembrou com saudade dos amigos e companheiros que, 17 anos antes, haviam sido seus parceiros na Guerra dos Farrapos. É uma carta emocionada que diz o seguinte:
“Modena, 10 de setembro de 1859.
Meu prezado amigo, Sr. Almeida.
Quando eu penso no Rio Grande, essa bela e cara província, quando penso no acolhimento com que fui recebido no grêmio de suas famílias, onde fui considerado filho; quando lembro de minhas primeiras campanhas entre vossos valorosos cidadãos e os sublimes exemplos de amor pátrio e abnegação que deles recebi, eu fico verdadeiramente comovido. E esse passado da minha vida se imprime em minha memória como alguma coisa de sobrenatural, de mágico, de verdadeiramente romântico.
Eu vi corpos de tropas mais numerosas, batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem cavaleiros mais brilhantes que os da bela cavalaria rio-grandense, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações.
Quantas vezes fui tentado a patentear ao mundo os feitos assombrosos que vi realizar por essa viril e destemida gente, que sustentou, por mais de nove anos contra um poderoso império, a mais encarniçada e gloriosa luta!
(...)
Que o Rio Grande ateste com uma modesta lápide os sítios em que descansam seus ossos. E que vossas belíssimas patrícias cubram de flores esses santuários de vossas glórias é o que ardentemente desejo.
Por mim abraçai a todos esses amigos e mandai em toda a ocasião ao vosso verdadeiro amigo.
Giuseppe Garibaldi

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