terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Histórias de Paraquedistas XXXIV

Célia Maria Leite Costa

Dois golpes que os paraquedistas militares legalistas detiveram

A Revolta de Jacareacanga (PA)

(11.02.1956 a 29.02.1956)

(19 dias)


Entre outubro de 1955 e janeiro de 1956, os militares antigetulistas, ligados à UDN e liderados pelos ministros Eduardo Gomes, da Aeronáutica, e Amorim do Vale, da Marinha, sofreram sérias derrotas. A primeira foi quando viram Juscelino Kubitschek e João Goulart, apoiados pela aliança PSD-PTB, serem eleitos presidente e vice-presidente da República em 3 de outubro de 1955. A segunda, quando o Movimento de 11 de Novembro, liderado pelo ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, depôs o presidente em exercício Carlos Luz, substituiu Eduardo Gomes por Vasco Alves Seco, Amorim do Vale por Antônio Alves Câmara, e garantiu as condições necessárias à posse dos eleitos. A terceira, quando os eleitos efetivamente foram empossados, em 31 de janeiro de 1956.


Poucos dias após a posse do novo governo, na noite de 10 de fevereiro de 1956, oficiais da Aeronáutica insatisfeitos, liderados pelo major Haroldo Veloso e pelo capitão José Chaves Lameirão, partiram do Campo de Afonsos, no Rio de Janeiro, instalaram-se na base aérea de Jacareacanga, no sul do Pará, e ali organizaram o seu quartel-general. Esses militares temiam uma represália do grupo militar vitorioso no dia 11 de Novembro e, por essa razão, não concordavam com a permanência, no governo JK, do ministro Vasco Alves Seco na pasta da Aeronáutica.

Dez dias depois do início da rebelião, os rebeldes já controlavam as localidades de Cachimbo, Belterra, Itaituba e Aragarças, além da cidade de Santarém, contando inclusive com o apoio das populações locais. Haviam recebido também a adesão de mais um oficial da Aeronáutica, o major Paulo Victor da Silva, que fora enviado de Belém para combatê-los.

Apesar de ter sido uma rebelião de pequena monta, o governo encontrou dificuldades para reprimi-la devido à reação de oficiais, sobretudo da Aeronáutica, que se recusavam a participar da repressão aos rebelados. Após 19 dias a rebelião, foi afinal controlada pelas tropas legalistas, com a prisão de seu principal líder, o major Haroldo Veloso. Os outros líderes conseguiram escapar e se asilar na Bolívia. Todos os rebelados foram beneficiados pela “anistia ampla e irrestrita”, concedida logo depois pelo Congresso, por solicitação do próprio presidente JK.

A Revolta de Aragarças (GO)

(36 horas)

Apesar da anistia concedida por JK aos militares envolvidos na Revolta de Jacareacanga em fevereiro de 1956, o clima de insatisfação e de conspiração contra o governo continuou, sobretudo na Aeronáutica.

A Revolta de Aragarças, que eclodiu em 2 de dezembro de 1959, começou a ser articulada em 1957. A nova conspiração teve a participação do ex-líder de Jacareacanga, tenente-coronel aviador Haroldo Veloso, e de dezenas de outros militares e civis, entre os quais o tenente-coronel João Paulo Moreira Burnier, que foi o seu principal líder. O objetivo era iniciar um “movimento revolucionário” para afastar do poder o grupo que o controlava, cujos elementos seriam, segundo os líderes da conspiração, corruptos e comprometidos com o comunismo internacional.

Partindo do Rio de Janeiro, com três aviões Douglas C-47 e um avião comercial da Panair sequestrado, e de Belo Horizonte, com um Beechcraft particular, os rebeldes rumaram para Aragarças, em Goiás. Pretendiam bombardear os palácios Laranjeiras e do Catete, no Rio, e ocupar também as bases de Santarém e Jacareacanga, no Pará, entre outras. Na realidade, nem o bombardeio aos palácios, nem a ocupação das bases chegaram a ocorrer, e a rebelião ficou restrita a Aragarças. A revolta durou apenas 36 horas. Seus líderes fugiram nos aviões para o Paraguai, Bolívia e Argentina, e só retornaram ao Brasil anistiados no governo Jânio Quadros.


Foto do avião sequestrado


Revoltosos presos por tropa de paraquedistas legalistas*

*Rendição de presos em Aragarças. Foto histórica de Campanella Neto, que deu ao fotógrafo o Prêmio Esso de fotografia, em 1960.

A história foto acima

Sequestrado com outros passageiros e a tripulação de um Constellation da Panair pelo major revoltoso Eber Teixeira Pinto, Campanella desceu em um campo de pouso da FAB em Aragarças, no interior de Goiás, QG dos revoltosos. O grupo, entre ele o senador Remi Archer, foi confinado em um hotel fazenda perto do campo, sempre vigiado por sentinelas.

“Campanella conseguiu driblar a vigilância dos soldados e enviar três telegramas de uma cidade vizinha, para seu editor-chefe, Joel Silveira, para o presidente do Senado e para o marechal Lott, então ministro da Guerra – no avião também viajava o corpo embalsamado de um tenente da Aeronáutica, sobrinho de Lott, acompanhado da viúva.”

A notícia chegou aos revoltosos pelo Repórter Esso: “Heron Domingues entra com seu vozeirão para anunciar a primeira notícia do dia: ‘Telegramas enviados pelo jornalista Campanella Neto denunciaram que Aragarças é o esconderijo dos revoltosos...”. Campanella “não conversou... olhou pro lado e saiu de fininho, e, depois, correu para o mato para se esconder. De lá, foi vendo um a um dos aviões decolando rumo ao exílio, um deles levando como reféns os políticos”.

Segundo o Paparazzi, para Campanella, “a importância da leitura diária dos jornais foi a ferramenta do furo jornalístico”. Em reconhecimento, ganhou, pelo conjunto de sua obra sobre Aragarças, o Prêmio Esso de Fotografia hors concours de 1959.

Fica evidente a intenção do jornalista de interferir nos acontecimentos (enquanto registrava), evidenciando o valor histórico dessa intermediação: “Depois da fuga dos revoltosos, após a notícia no Repórter Esso, o céu amanheceu coalhado de aviões e paraquedistas das tropas do governo. Campanella começou a fotografar rápido e quase ficou sem o filme de novo, mas, quando disse quem era, foi tratado como herói nacional. Em uma operação de guerra, camuflaram galões ao longo da pista de pouso esperando algum desavisado. E ele apareceu. Era o C-47 que tinha levado o corpo do oficial e voltava carregado de armamento.”

É o ápice da história, um final digno de filme de aventuras: “Campanella estava ao lado do comandante na pista quando o piloto recebeu voz de prisão. ‘Ele começou a atirar, deu um cavalo-de-pau, tentou arremeter de novo, bateu nos galões atirados para impedir a fuga e o avião começou a pegar fogo e a explodir munição. Era o Vietnã!’, conta ainda com os olhos brilhando Campanella.”

Finalmente, “fez a reportagem exclusiva da prisão dos revoltosos e pousou em Brasília para entrevistas. Desta vez do outro lado: ele era o personagem principal da história.”

Campanella Neto, mineiro de Pouso Alegre, após o golpe de 64, associaram-se ao Jornal do Brasil, como Studio JB. A partir de 1967 (por mais 20 anos) assumiu o sub-editoria do JB. Aposentado aos 55 anos, continuou como free-lancer para diversas instituições até parar. Faleceu em 2004.

Obs.: O local onde estava os revoltosos era impossível a qualquer tropa comum chegar lá; a não ser, é claro, que chegassem de avião e lá saltassem, como fizeram os paraquedistas do Exército.
  


Paraquedista atacando...


Sequestrado pelos oficiais rebelados,
o avião C-47 da FAB foi incendiado próximo ao campo de pouso,
em Aragarças.


Tropas de paraquedistas voltam de Aragarças,
depois de debelar a revolta e prender oficiais da FAB sublevados.




segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Grandes personagens da MPB



Noel Rosa por Lan

Noel Rosa é genial, não se discute, mas precisava sobrecarregar o garçom com tantas ordens? Em Conversa de Botequim há, por baixo, sete ordens disparadas pelo freguês ao garçom que teve a má sorte de estar de serviço naquele momento, a saber: (1) que o garçom lhe traga pão, média, guardanapo e água (consideremos o conjunto uma ordem só); (2) que feche a porta da direita com muito cuidado; (3) que apure com o freguês do lado o resultado do futebol; (4) que lhe providencie caneta, tinteiro, envelope e cartão; (5) que lhe traga palitos e cigarro; (6) que peça ao charuteiro revistas, isqueiro e cinzeiro; (7) que telefone ao escritório (até isso!) pedindo um guarda-chuva ao seu Osório.

Não apenas a quantidade é cruel. Pior ainda é que as ordens são quase simultâneas, disparadas à queima-roupa, na maioria desencontradas, exigindo o malabarismo de encomendar a média (“que não seja requentada”) e ao mesmo tempo fechar a porta, perguntar o resultado do futebol e emendar com um telefonema para o escritório. Se bem cumpridas as tarefas, o que temos é um garçom obrigado a multiplicar-se em mais pernas do que num desenho do saudoso Glauco, um pobre coitado que sua, bufa, resfolega, resmunga, tropeça, se esfalfa, se estropia, se exaure. Para cúmulo dos cúmulos, no fim o freguês ainda avisa que vai pendurar a conta e pede ao garçom para lhe emprestar dinheiro. Essa música podia ser rebatizada como Hino do Desespero dos Garçons. Devia ser entoada nas assembleias e passeatas da categoria.

Conversa de botequim

Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada,
Um pão bem quente com manteiga à beça,
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada.
Feche a porta da direita com muito cuidado,
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol,
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol.

Se você ficar limpando a mesa,
Não me levanto nem pago a despesa.
Vá pedir, ao seu patrão,
Uma caneta, um tinteiro,
Um envelope e um cartão.
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos.
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas,
Um isqueiro e um cinzeiro.

Telefone ao menos uma vez
Para três, quatro, quatro, três, três
E ordene ao seu Osório,
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório.
Seu garçom, me empresta algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro,
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente.

O João Valentão de Dorival Caymmi abriga na mesma personalidade o bruto e o sensível, o impiedoso e o lírico. É um bruto que para dar bofetão não pensa na vida, e faz coisas que até Deus duvida; mas tem seu momento na vida, o que acontece “quando o sol vai quebrando lá pro fim do mundo” e “se ouve mais forte o ronco das ondas”. Eis que o cair da tarde o transfigura. Se até por volta das 18 horas era um, agora é outro. O João Valentão é no final das contas um homem equilibrado e bem-sucedido – depois da batalha do dia, em que cansou de dar sopapos, restaura-se à noite, deitado na areia da praia, naquele momento supremo em que “a morena se encolhe e chega pro lado querendo agradar”.

João Valentão

João Valentão é brigão,
Pra dar bofetão
Não presta atenção
E nem pensa na vida.
A todos João intimida,
Faz coisas que até Deus duvida,
Mas tem seu momento na vida...

É quando o sol vai quebrando
Lá pro fim do mundo
Pra noite chegar
É quando se ouve mais forte
O ronco das ondas na beira do mar.

É quando o cansaço da lida da vida
Obriga João se sentar.
É quando a morena se encolhe
E chega pro lado querendo agradar.

Se a noite é de lua,
A vontade é contar mentira,
É se espreguiçar.
Deitar na areia da praia
Que acaba onde a vista não pode alcançar.

E assim adormece esse homem.
Que nunca precisa dormir pra sonhar,
Porque não há sonho mais lindo
Do que sua terra não há!


Desenho de João Valentão por Dorival Caymmi
  
Mas o auge da música ainda não chegou. O melhor, em versos tão inesquecíveis quanto o “tu pisavas nos astros distraída”, de Chão de Estrelas (que Manuel Bandeira considerava dos mais belos da língua), é quando Caymmi informa que “se a noite é de lua a vontade é contar mentira, é se espreguiçar”. Os braços do Valentão agora trocam os bofetões pelas espreguiçadas; e a vida de verdade, mansamente, malandramente, se refaz na delícia das mentiras.

O personagem do Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, é um angustiado, um torturado, um estressado, um tipo ferido pela dúvida e fulminado pela divisão entre duas lealdades. Ele não pode ficar mais nem um minuto com a namorada porque senão perde o trem. E se perde o trem, desgraça! – é filho único, tem uma mãe que não dorme enquanto ele não chega. Estamos diante do oposto acabado do João Valentão. Durante o dia, no trabalho, longe de casa (ele mora em Jaçanã!), as pressões não foram tão fortes quanto à noite, quando se estabelece o horrendo conflito.

A música não conta a história até o fim. Não ficamos sabendo se ele realmente se despregou da namorada e correu para o trem ou fraquejou na última hora. Os mais românticos tenderiam para a opção pela namorada – vamos lá, coragem, ouse ser feliz. Mas, ao que tudo indica, venceu a mãe. E a namorada, como ficou? Ofereceu-lhe uma segunda chance? Adoniran não julgou necessário nos dizer, mas é forte a desconfiança de que seu personagem está destinado a morrer solteiro.


Adoniran Barbosa por Liberati

Trem das Onze

Não posso ficar
nem mais um minuto com você.
Sinto muito, amor,
mas não pode ser.
Moro em Jaçanã,
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas,
Só amanhã de manhã.

Mas além disso, mulher,
Tem outras coisas,
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar.

Sou filho único,
Tenho minha casa para olhar
E eu não posso ficar.

Parte do Texto 
(sem letras das músicas) 
de Roberto Pompeu de Toledo,
na revista Veja.

Será que foi coincidência?


Alguns fatos pareciam ser uma triste premonição
 ao que iria acontecer aos astros.

Thelma Todd


Thelma participou do filme Monkey Business, dos Irmãos Marx. Nele ela fazia a esposa de um gangster. Tempos depois, a atriz se envolvia com Lucky Luciano, um mafioso de verdade. O relacionamento foi conturbado. O mais curioso foi que o personagem Groucho Marx, em determinada cena, saiu com essa frase:

- Nós podemos limpar e amarrar mais firmemente seus freios, mas você terá que ficar na garagem a noite toda.

Quatro anos mais tarde, a atriz seria encontrada morta, em sua garagem, em causas não explicadas. Voltava de um encontro com seu (ex?) amante Lucky Luciano.

Sharon Tate


Sharon teve um final triste, como sabemos, morta por dementes quando estava grávida de 8 meses de um filho de Roman Polanski. Ele jamais se recuperou e usou muito do seu sofrimento em obras futuras. Alguns dizem que o acontecimento macabro foi motivado pelo filme “O Bebê de Rosemary”. Explico. Para fazer o filme, Polanski entrou em contato com o ocultista Anton Lavey durante a produção do filme. Dessa maneira, ele teria aberto uma porta para o mal que viria assolar a vida de sua esposa e filho, mortos brutalmente. Mas isso são apenas conjunturas.

A coincidência triste foi a seguinte: Mais tarde Roman Polanski estava preparando uma adaptação da tragédia Macbeth. E durante uma das cenas violentas, sangue cenográfico foi jogado nos atores. Uma garotinha chamou a atenção, suja dos pés à cabeça de sangue cenográfico. Polanski foi até ela e perguntou-lhe o nome. “Sharon”, respondeu a garotinha. Imaginem o que deve ter passado na cabeça dele nesse instante?

Judy Garland


A pequena menina com uma grande voz, Judy Garland, protagonizou o filme infantil mais visto de todos os tempos: O mágico de Oz. Nele ela era Dorothy, a garotinha que vê seu mundo escapar quando um tornado vai de encontro à sua pequena cidade. Da mesma maneira a vida dela mudou, e ela seria eternamente lembrada por seu papel no filme. Judy era a música Over the Rainbow, apesar de ter feito muitos outros sucessos ao longo de sua carreira. Curiosamente, no dia de sua morte, ocorreram algumas coisas estranhas. Dentre elas, um tornado no Kansas: cidade onde é ambientado o filme O mágico de Oz.

Outra coincidência com relação a Judy diz respeito a uma cena de Summer Stock, último filme seu para a MGM. É realmente interessante uma cena em que ela canta e, em determinado momento, arranca a folha de um calendário e aponta: nele indica 22 de junho, data em que ela iria morrer.

John Barrymore


John tinha alguns poucos amigos com quem gostava de passar o tempo. Dentre eles John Decker, John Carradine, Ben Hecht e Gene Fowler. Gene adorava e respeitava John, e ficou arrasado quando viu o grande ator definhando física e mentalmente. Uma de suas peças que John mais gostava era um relógio cuco que ele tinha em sua casa em Beverly Hills. Ele já não funcionava, mas ficava na sala, exposto.

Quando Barrymore faleceu, em 29 de maio de 1942, seu amigo Gene resolveu homenagear o amigo e colocar a hora exata de sua morte: 10h20min. Mas quando Gene se aproximou, gelou: 10h20min era a hora exata do relógio parado.

Postagem original do site cinemaclassico.com


Querido Basquetebol



Em 2015, um ano antes de abandonar o desporto, Kobe Bryant escreveu um texto de despedida. Deu origem a uma curta-metragem que venceu o Óscar.

O curta-metragem de Kobe Bryant, ‘Dear Basketball’ (na tradução, ‘Querido Basketball’) foi publicado no Vimeo pela produtora do jogador de basquete.

O ato íntegro consagra a morte de Kobe Bryant, que faleceu nesta segunda-feira (27.01.2020) em um acidente de helicóptero, aos 41 anos.

O texto do curta é narrado e assinado pelo ex-jogador, inspirado em um poema publicado por ele em 2015 para anunciar a aposentadoria. A animação ganhou o Oscar de Melhor Animação em 2018, além de muitas outras premiações.

Dear Basketball,

From the moment
I started rolling my dad’s tube socks
And shooting imaginary
Game-winning shots
In the Great Western Forum
I knew one thing was real:

I fell in love with you.

A love so deep I gave you my all —
From my mind & body
To my spirit & soul.

As a six-year-old boy
Deeply in love with you
I never saw the end of the tunnel.
I only saw myself
Running out of one.

And so I ran.
I ran up and down every court
After every loose ball for you.
You asked for my hustle
I gave you my heart
Because it came with so much more.

I played through the sweat and hurt
Not because challenge called me
But because YOU called me.
I did everything for YOU
Because that’s what you do
When someone makes you feel as
Alive as you’ve made me feel.

You gave a six-year-old boy his Laker dream
And I’ll always love you for it.
But I can’t love you obsessively for much longer.
This season is all I have left to give.
My heart can take the pounding
My mind can handle the grind
But my body knows it’s time to say goodbye.

And that’s OK.
I’m ready to let you go.
I want you to know now
So we both can savor every moment we have left together.
The good and the bad.
We have given each other
All that we have.

And we both know, no matter what I do next
I’ll always be that kid
With the rolled up socks
Garbage can in the corner
:05 seconds on the clock
Ball in my hands.
5… 4… 3… 2… 1

Love you always,
Kobe.

*****

Querido Basquetebol,
Desde o momento
Em que comecei a enrolar as meias do meu pai,
Arremessando de forma imaginária
Arremessos da vitória no Great Western Forum,
Sabia que uma coisa era real:

Eu me apaixonei por você.

Um amor tão profundo, que me entreguei por completo.
Da minha cabeça e meu corpo
Ao meu espírito e alma.

Um garoto de seis anos de idade
Se apaixonou profundamente por você.
Nunca vi o fim do túnel.
Apenas me vi saindo de um.

Então, eu corri.
Corri para cima e para baixo em todas as quadras.
Atrás de qualquer bola perdida por você.
Você me pediu raça, eu dei meu coração,
Porque veio com muito mais.

Joguei cansado e machucado.
Não por causa do desafio,
Mas porque VOCÊ pediu.
Fiz tudo por VOCÊ,
Porque isso é o que se faz
Quando faz com que se sinta vivo
Como você fez comigo.

Você realizou o sonho de um menino de seis anos de ser um Laker.
E sempre vou te amar por isso.
Mas não posso te amar obsessivamente por muito tempo.
Esta temporada é tudo que me restou para dar.
Meu coração pode manter a batida,
Minha cabeça pode lidar com a rotina,
Mas meu corpo sabe que está na hora de dizer adeus.

E tudo bem.
Estou pronto para ir.
Só quero que você saiba agora
Para que nós possamos gravar todos os momentos
Que vivemos juntos.
Os bons e ruins.
Nós demos um para o outro tudo que temos.

E nós sabemos, não importa o que farei depois,
Sempre serei aquele garoto,
Com aquelas meias enroladas, lata de lixo no canto,
Cinco segundos no relógio e bola na minha mão,
5… 4… 3… 2… 1.

Te amo para sempre,
Kobe.


domingo, 2 de fevereiro de 2020

O colocador de pronomes



(Excerto* de um conto de:)

Monteiro Lobato

* Excerto: fragmento, extrato, parte do texto.

(...)

Havia em Itaoca um pobre moço que definhava de tédio no fundo de um cartório. Escrevente. Vinte e três anos. Magro. Ar um tanto palerma. Ledor de versos lacrimogêneos e pai duns acrósticos dados à luz no “Itaoquense”, com bastante sucesso.

Vivia em paz com as suas certidões quando o frechou venenosa seta de Cupido. Objeto amado: a filha mais moça do coronel Triburtino, o qual tinha duas, essa Laurinha, do escrevente, então nos dezessete, e a do Carmo, encalhe da família, vesga, madurota, histérica, manca da perna esquerda e um tanto aluada.

Triburtino não era homem de brincadeira. Esguelara um vereador oposicionista em plena sessão da câmara e desd’aí se transformou no tutu da terra. Toda gente lhe tinha um vago medo; mas o amor, que é mais forte que a morte, não receia sobrecenhos enfarruscados nem tufos de cabelos no nariz.

Ousou o escrevente namorar-lhe a filha, apesar da distância hierárquica que os separava. Namoro à moda velha, já se vê, pois que nesse tempo não existia a gostosura dos cinemas. Encontros na igreja, à missa, troca de olhares, diálogos de flores − o que havia de inocente e puro. Depois, roupa nova, ponta de lenço de seda a entremostrar-se no bolsinho de cima e medição de passos na rua d’Ela, nos dia de folga. Depois, a serenata fatal à esquina, com o

Acorda, donzela...

Sapecado a medo num velho pinho de empréstimo. Depois, bilhetinho perfumado.

Aqui se estrepou...

Escrevera nesse bilhetinho, entretanto, apenas quatro palavras, afora pontos exclamativos e reticências:

Anjo adorado!
Amo-lhe!

Para abrir o jogo bastava esse movimento de peão.

Ora, aconteceu que o pai do anjo apanhou o bilhetinho celestial e, depois de três dias de sobrecenho carregado, mandou chamá-lo à sua presença, com disfarce de pretexto − para umas certidõezinhas, explicou.

Apesar disso o moço veio um tanto ressabiado, com a pulga atrás da orelha.

Não lhe erravam os pressentimentos. Mas o pilhou portas aquém, o coronel trancou o escritório, fechou a carranca e disse:

− A família Triburtino de Mendonça é a mais honrada desta terra, e eu, seu chefe natural, não permitirei nunca − nunca, ouviu? − que contra ela se cometa o menor deslize.

Parou. Abriu uma gaveta. Tirou de dentro o bilhetinho cor de rosa, desdobrou-o.

− É sua esta peça de flagrante delito?

O escrevente, a tremer, balbuciou medrosa confirmação.

− Muito bem! Continuou o coronel em tom mais sereno. Ama, então, minha filha e tem a audácia de o declarar... Pois agora...

O escrevente, por instinto, ergueu o braço para defender a cabeça e relanceou os olhos para a rua, sondando uma retirada estratégica.

− ... é casar! Concluiu, de improviso, o vingativo pai.

O escrevente ressuscitou. Abriu os olhos e a boca, num pasmo. Depois, tornando a si, comoveu-se e com lágrimas nos olhos disse, gaguejante:

− Beijo-lhe as mãos, coronel! Nunca imaginei tanta generosidade em peito humano! Agora vejo com que injustiça o julgam aí fora!...

Velhacamente o velho cortou-lhe o fio das expansões.

− Nada de frases, moço, vamos ao que serve: declaro-o solenemente noivo de minha filha!

E, voltando-se para dentro, gritou:

− Do Carmo! Venha abraçar o teu noivo!

O escrevente piscou seis vezes e, enchendo-se de coragem, corrigiu o erro.

− Laurinha, quer o coronel dizer...

O velho fechou de novo a carranca.

− Sei onde trago o nariz, moço. Vassuncê mandou este bilhete à Laurinha dizendo que ama-“lhe”. Se amasse a ela deveria dizer amo-“te”. Dizendo “amo-lhe” declara que ama a uma terceira pessoa, a qual não pode ser senão a Maria do Carmo. Salvo se declara amor à minha mulher...

− Oh, coronel...

− ...ou a preta Luzia, cozinheira. Escolha!

O escrevente, vencido, derrubou a cabeça, com uma lágrima a escorrer rumo à asa do nariz. Silenciaram ambos, em pausa de tragédia. Por fim o coronel, batendo-lhe no ombro paternalmente, repetiu a boa lição da sua gramática matrimonial.

− Os pronomes, como sabe, são três: da primeira pessoa − quem fala, e neste caso vassuncê; da Segunda pessoa − a quem fala, e neste caso Laurinha; da terceira pessoa − de quem se fala, e neste caso do Carmo, minha mulher ou a preta. Escolha!

Não havia fuga possível.

O escrevente ergueu os olhos e viu do Carmo que entrava, muito lampeira da vida, torcendo acanhada a ponta do avental. Viu também sobre a secretária uma garrucha com espoleta nova ao alcance do maquiavélico pai, submeteu-se e abraçou a urucaca, enquanto o velho, estendendo as mãos, dizia teatralmente:

− Deus vos abençoe, meus filhos!

(Do livro; “O Melhor do Humor Brasileiro”.
Organização de Flávio Moreira da Costa)

Alerta global!



Entenda o que é a doença que foi registrada inicialmente na China e tem se espalhado por diversos países.

O que é

→ Uma extensa família de vírus, com uma nova forma identificada na megalópole de Wuhan, na China, onde vivem 11 milhões de pessoas.

2 epidemias

→ Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS-CoV):

● Identificada em 2003, com humanos infectados na China em 2002.

● Cerca de 650 mortos na China/Hong Kong em 2002-2003.

● Os morcegos seriam a fonte transmissora do vírus até os humanos.

→ Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV)

● Identificada pela 1ª vez na Arábia Saudita em 2012.

● Mais de 800 mortos no Oriente Médio.

● Dos dromedários para os humanos.

Transmissão

→ Circula entre animais, mas pode ser transmitida para os humanos por via aérea ou pelo contato com secreções ou objetos contaminados.

Sintomas

● Febre ● Tosse ● Falta de ar ● Dificuldade para respirar ● Problemas gástricos ● Diarreia

Casos graves

● Pneumonia ● Síndrome Respiratório Agudo Severo ● Insuficiência renal ● Morte

Tratamento

● Não existe medicamento nem vacina específica

● Os sintomas podem ser tratados

Nova forma de vírus

→ Acredita-se que um mercado de peixe no centro de Wuhan tenha sido o propagador da epidemia.

Cuidados

→ Cobrir a boca e o nariz em caso de tosse ou espirros.

→ Utilizar uma máscara sempre que for necessário.

→ Em caso da doença, manter-se em repouso em lugar bem ventilado, beber muita água e medicar-se contra a febre, conforme orientação médica.

→ Limpar e desinfetar os objetos e o chão com frequência para evitar a criação de ambientes favoráveis à proliferação de vírus e bactérias.

→ Lavar regularmente as mãos com água e sabão. Evitar tocar os olhos e a boca com as mãos sujas.

→ Evitar contatos desnecessários e sem proteção com animais ou objetos contaminados.

→ Evitar o contato com os enfermos. Em caso de viagem, seguir as regras e os procedimentos sanitários.

Fonte: CDC – OMS

(No Correio de Povo, de 2 fevereiro de 2020)


P.S.1: Você já deve estar vacinado contra gripe (vírus H1N1, H3N2 e Influenza B); e deve, agora, fazer vacina contra pneumonia, que é paga e é feita em algumas farmácias autorizadas. Seu sistema imunológico deve estar bem protegido. Se a doença chegar ao Brasil e, desgraçadamente, for contaminado pelo vírus, há grande chance dos efeitos da doença não ser letal em você.

P.S.2: Ela ataca mais fatalmente os pulmões, nenhuma doença deve ser oportunista por falta de vacina. A febre é controlável com medicação; pneumonia e gripes seus efeitos no organismo são imprevisíveis! Cuidado com essa duas doenças, elas são fatais numa epidemia mundial.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Declaração de princípios com fim

Carlos Magno Gibrail


Sou contra o Tiririca na política, na televisão e no mensalão. Sou contra o Timão ter estádio aprovado sem projeto, o Ricardão ser imperador numa democracia, o Orlando Silva não ser cantor e ser um enganador, a Odebrecht ser entidade beneficente não transparente enquanto a Santa Casa tão carente passa a ser inadimplente.

Sou contra a democracia que, pela liberdade, obriga o voto; o candidato que, pela lei, pode negar o nome do patrocinador; o senador que, pela ordem da casa, pode criar ato secreto; o deputado que, no final de mandato, pode gastar o dinheiro do povo para arrecadar voto; o vereador que, não sabe ler, falar, escrever, mas votar pela educação e pela alimentação das crianças das cidades.

Sou contra a ficha limpa, que não é obrigatória, numa sociedade de notória impunidade. Sou contra todas as entidades do futebol, que praticam a autocracia e a oligarquia na direção, na organização, na arbitragem, mas, acima de tudo, são monárquicas no comando único e quase perene dos dirigentes máximos.

Sou contra a democracia que permite que, através do Congresso, sejam aprovadas leis para legalizar desmatamentos objetivando beneficiar grupos econômicos.

Sou contra o mata-mata, quando se pode fazer campeonato de pontos corridos; de gol valer mais em virtude de mando de jogo; de árbitros amadores, mas deuses, porque tem poderes absolutos para salvar, para matar e para roubar, como nos velhos tempos dos gladiadores.

Sou contra os advogados que se metem nas outras profissões desregulamentando-as, ou que tratam de conservar o corporativismo, ou que pretendem tratar dos próprios benefícios no poder judiciário promovendo aumentos salariais e mantendo férias e outros direitos restritos aos seus pares, ou exigindo quotas para negros em desfiles de moda, mas não se preocupam em dar o exemplo e fazer primeiro nos organismos jurídicos.

Sou contra a democracia que permite a censura à imprensa, principalmente pedida por famílias notórias de coronéis da oligarquia dos primórdios da nação, mas de atuação efetiva nos tempos modernos do Brasil oitava potência econômica mundial.

Sou contra a democracia que permite gasto livre nas eleições e, acima de tudo, sem identificar doador e candidato.

Sou contra a democracia que permite que as entidades criadas para controlar as prestadoras de serviços básicos como: saúde, energia, comunicações etc. passem a ter diretores vindos dos próprios setores, ou seja, raposas no galinheiro.

Sou contra o poder externo interferir no bom andamento da política, dos esportes, da imprensa; empresas privadas agindo em lobbies, TVs interferindo em esportes, governantes se intrometendo na imprensa, afastando jornalistas por críticas feitas.

Sou contra a democracia que não é democrática, apenas e tão somente autocrática e coercitiva, e a sociedade comportamentalista não cognitivista.

Sou contra, finalmente, mas momentaneamente, porque a lista não tem final, apenas fim. O Carlos Heitor Cony se ele me processar pelo plágio da sua forma aqui apresentada e furtada de seu artigo recente na Folha de São Paulo.