sábado, 5 de setembro de 2020

Texto publicitário bem bolado

 Qual é o meu lugar?

É o endereço das minhas contas?

O que está marcado nas minhas fotos?

Ou é o mundo inteiro?

É o meu mundo particular?

É onde vive quem eu amo?

Ou onde eu mais amo viver?

É exatamente onde eu estou agora?

Ou onde estão meus sonhos?

Meu lugar não é um número,

um nome de rua ou uma coordenada.

Meu lugar é onde eu sinto que faço parte.

Quando falam do meu jeito,

eu estou no meu lugar.

Quando eu revisito e reinvento tradições,

eu estou no meu lugar.

Quando eu participo da conversa,

eu estou no meu lugar.

Quando eu acompanho minhas paixões,

eu estou no meu lugar.

Quando eu vivo os meus rituais,

eu estou no meu lugar.

Quando eu me conecto com todos os assuntos

que fazem a diferença na minha vida,

eu estou no meu lugar.

GZH/ O meu lugar.

           Em qualquer lugar.

                     (Do jornal Zero Hora, setembro de 2020)

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

A visita do Ministro

 

O Ministro da Cultura do governo atual de nosso país foi visitar uma cidade no interior do Brasil para conhecer um manicômio qualquer. Chegando lá, o ministro só ouvia o que os médicos falavam a respeito dos pacientes. Um louco, que estava bem-vestido e com uma pose de intelectual, sussurrou ao ouvido do ministro:

− “Preciso, em particular, falar urgentemente com senhor”.

O ministro se fez de desentendido e continuou a sua vista. Mais tarde, o diretor do hospício disse ao ministro que ele podia perguntar o que quisesse aos doentes, bem como falar com qualquer um deles. O ministro, então, apontou para o paciente que lhe falara ao ouvido e disse que gostaria de conversar com ele em particular. Os dois foram para uma sala isolada. O maluco trouxe consigo um enorme livro e foi logo dizendo para o ministro:

− Eu era um famoso professor universitário, por um esgotamento nervoso, fui colocado aqui pela minha família, mas eu não sou maluco não. E para provar que eu não sou louco, vou passar às suas mãos este livro que vai provar a Sua Excelência que o que eu estou dizendo é a pura verdade.

Dizendo isso, o paciente entregou um grosso livro ao senhor ministro, prometendo que, assim que chegasse em Brasília, leria o livro e, dependendo da sua leitura, providenciaria para que o paciente tivesse alta e voltasse a lecionar.

No primeiro fim-de-semana de folga, o ministro sentou-se numa poltrona e leu na capa do livro: Marcha para o Oeste. Um livro volumoso de capa dura, com um lindo desenho de um homem a cavalo. O ministro o abriu na primeira página. Lá estava em destaque: “Capítulo 1” e a palavra “ploc”. Ele pula para a segunda pagina: “Capítulo 2 – ploc, ploc”. Passa mais uma página: “capítulo 3 – ploc, ploc, ploc”. Vai direto para a página 10 e lá estava: “Capítulo 10 – ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc”. Emputecido, o ministro foi direto para a última página e lá estava escrito: “Hôôôôôô!!!” 

NSM


O avô e neta cantam juntos

Chico improvisa com a neta Clara Buarque

 na nova gravação de “Dueto”

 Por Mauro Ferreira*


(Crédito da imagem: Chico Buarque e Clara Buarque

 no estúdio da gravadora Biscoito Fino  em foto de Leo Aversa)

Além de constar nos astros, nos signos, nos búzios e nos mapas, o amor também pode constar no Tinder, no Youtube, no Telegram, no Instagram... Atentos às novas formas de (demonstrar) amor, Chico Buarque e Clara Buarque – neta do artista e filha de Carlinhos Brown com Helena Buarque – improvisam versos com nomes de redes sociais e aplicativos de relacionamentos ao fim da gravação de Dueto (Chico Buarque, 1980) feita para Caravanas, álbum que Chico lança no dia 25 do mês de agosto de 2017.

Dueto é uma das duas músicas não inéditas do disco (a outra é A moça do sonho, composta por Chico com Edu Lobo para a trilha sonora de Cambaio, musical de teatro estreado em 2001). O cantor já havia registrado Dueto com Clara para o filme Chico – Um artista brasileiro (2015), mas a gravação ficou fora do disco com a trilha sonora do documentário de Miguel Faria Jr. editado há dois anos pela mesma gravadora Biscoito Fino que distribuirá o álbum Caravanas.

Por conta da exclusão desse fonograma de 2015 no álbum com a trilha sonora do filme, Dueto entra pela primeira vez na discografia oficial de Chico em Caravanas, já que as duas gravações anteriores dessa música com Chico – feitas com Nara Leão (1942 – 1989) em 1980 e com Zizi Possi em 2001 – foram para projetos fonográficos alheios.

Dueto*

 Letra e Música: Chico Buarque

Consta nos astros, nos signos, nos búzios,

Eu li num anúncio, eu vi no espelho,
Tá lá no Evangelho, garantem os Orixás:
Serás o meu amor, serás a minha paz.

Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas,
Eu fiz uma tese, eu li num tratado,
Está computado nos dados oficiais:
Serás o meu amor, serás a minha paz.

Mas se a ciência provar o contrário,

E se o calendário nos contrariar,
Mas se o destino insistir em nos separar.

Danem-se os astros, os autos, os signos,

Os dogmas, os búzios, as bulas, anúncios,

Tratados, ciganas, projetos, profetas,

Sinopses, espelhos, conselhos.
Se dane o Evangelho e todos os Orixás:
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz.

Consta na pauta, no Karma, na carne,

Passou na novela, está no seguro,

Picharam no muro,
Mandei fazer um cartaz:
Serás o meu amor, serás a minha paz.

Mas se a ciência provar o contrário,

E se o calendário nos contrariar,
Mas se o destino insistir em nos separar:

Danem-se os astros, os autos, os signos,

Os dogmas, Os búzios, as bulas, anúncios,

Tratados, ciganas, projetos,
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos.
Se dane o Evangelho e todos os Orixás:
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz.

Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis,

Consta no Google, no Twiter, no Face, no Tinder,
No whatsapp, no Instagram, no Email, no Snapchat,
No Orkut, no telegrama, no Skype...

* A gravação dessa música, feita no estúdio da Biscoito Fino, está na internet, cantada por Chico Buarque (o avô) e Clara Buarque (a neta).

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

A boneca assustadora

A boneca mal assombrada do museu

Todos já devem ter ouvido falar sobre a boneca Lenci do Museu Casal Moschetti, em Farroupilha/RS. A boneca tem o tamanho de uma criança de 8 anos, é feita em porcelana. Lenci foi entregue a Lydia Moschetti como premiação pela sua participação num concurso de cantores líricos. A boneca, com seu olhar sinistro, fica sentada em uma sala isolada do museu. O visitante pode chegar somente até a porta, sem muita aproximação dela, mas mesmo com essa distância passa uma sensação estranha para os visitantes. Lenci passou a ser motivo de comentários sobre sua sobrenaturalidade, devido a isso a “Boneca do Museu Casal Moschetti” foi tema de um documentário, sendo considerada uma das cinco lendas urbanas de maior expressividade do Rio Grande do Sul.


O museu é mantido pela Prefeitura de Farroupilha, sua localização é na área central da cidade, ao lado da Igreja Matriz. O horário de atendimento do museu é um pouco incoerente com o seu objetivo, que é o de atrair mais turistas para o município. Digo isso pois nos meses de Janeiro e Fevereiro o museu atende somente das 13:30 horas até as 16:00horas, além de não abrir em nenhum final de semana durante o ano inteiro. No mínimo a casa deveria estar aberta aos sábados ou ter alguma alteração no horário de atendimento, pois quem estuda e trabalha não consegue visitar o museu em horário comercial durante a semana.

A visita é bastante agradável, pois o visitante é recepcionado pela guia, que se disponibiliza a acompanhar os visitantes em todos os ambientes da casa, contado a história da família Moschetti e explicando sobre os objetos que o museu abriga. Se o visitante preferir, ele pode passear pela casa sozinho, as fotografias dentro do museu são liberadas, mas devemos lembrar que evitar o flash das câmeras é importante para a conservação do acervo.


Um fato incrível!

 

O que vou narrar agora aconteceu comigo em 2007, mês de julho, às 7 horas da noite. Não costumo assistir à corrida de cavalos, mas, atendendo convite de alguns amigos, fui ao Hipódromo do Cristal, em Porto Alegre. Chegamos no exato momento que iria acontecer o sétimo páreo. Os companheiros, só de farra, resolveram apostar às escuras em qualquer cavalo para ver o que aconteceria. Resolvi, também, arriscar. Estou, casualmente, defronte ao guichê número sete. Encontro na carteira, entre as notas mais graúdas, sete reais em moedas. Olho no quadro mural os nomes dos cavalos que iriam correr: detenho-me num deles que achei interessante; “Gold Seven”, Sete de Ouro. Vou nele. Faço uma aposta WIN, que é apostar no cavalo que vai chegar em primeiro lugar, onde o prêmio é maior.

Os cavalos estão indóceis no partidouro. É difícil alinhar cavalos na largada de uma corrida. Uns entram; outros saem do Starting Gate, que é o lugar onde cada cavalo tem seu espaço para a largada, com uma porta atrás outra na frente. Quando todos estão alinhados, já pode ser dada a partida, onde todas as portas são abertas simultaneamente e a corrida começa.

Oito cavalos disputam uma corrida. O meu cavalo está no Starting Gate número sete! A duração de uma corrida é de aproximadamente um minuto e trinta segundos de pura emoção para os apostadores.

É dada a largada, fecho os olhos de pura tensão. Há uma algazarra ensurdecedora ao meu redor, cada um grita, freneticamente, o nome do cavalo apostado; nisso, meus amigos vibram e me levantam, gritando o meu nome e o nome do meu cavalo.

Ele tinha chegado em sétimo lugar!

                                                   (NSM)

 


terça-feira, 1 de setembro de 2020

A caixa de rapé

 

“O comandante é responsável por tudo que acontece

ou deixa de acontecer no seu quartel.”

(dogma militar)

Correndo o risco de ser saudosista, mas ainda acreditando que no final o bem prevalecerá, recordo e divulgo um trecho da Ordem do Dia nº 51, de 20 de abril de 1852, emitida pelo então Conde de Caxias, em seu Quartel General localizado à margem esquerda do Rio Uruguai:

“... tendo notado com estranheza, que nas contas de um dos Hospitais estabelecidos em Montevidéu, além de outros gêneros extravagantes, aparecem artigos que jamais fizeram parte de dietas em hospital algum, tais como conservas, charutos e rapé, determinei ao Diretor do referido hospital que doravante restrinja seus pedidos apenas ao útil e necessário somente, prevenindo-o também que ordenei ao Encarregado de Pagamentos Militares que desconte de seus vencimentos a importância de duas caixas de charutos, uma caixa de rapé e três vidros de conservas. Informei-o ainda, bem como ao seu chefe imediato, de que fica inibido da direção do Hospital até segunda ordem.

... para que haja mais regularidade nesse ramo do serviço do Exército em operações, determinei que todos os pedidos dos Diretores dos Hospitais, depois de examinados pelo Sr Encarregado da Repartição da Saúde, a quem compete toda a fiscalização e Moralidade das despesas da mesma Repartição, sejam previamente apresentadas ao Sr Quartel Mestre General, a fim de serem por ele rubricadas”.

 Que falta que faz um Caxias!

                                              O velho Marechal



Porto Alegre ganha mural com arte de Kobra

 

  Foto: Marina Meyer/Colégio Farroupila

Porto Alegre ganhou mais cor nesta semana (janeiro de 2019). O novo prédio do Colégio Farroupilha, localizado no bairro Três Figueiras, na capital, serviu como tela para o trabalho do premiado artista paulista Eduardo Kobra. Impressionante, a pintura abrange uma área de 196 m² (14 m x 14 m) e faz uma belíssima homenagem ao poeta gaúcho Mário Quintana. Os alunos poderão conferir de perto a novidade a partir do dia 18 de fevereiro, na volta às aulas.

A pintura feita em seis dias com spray de tinta é composta por losangos supercoloridos, característica máxima da arte de Kobra. Ela traz o poeta alegretense junto a um pássaro, em referência a um de seus poemas mais famosos, o Poeminha do Contra.

                                     “Todos esses que aí estão

atravancando meu caminho,

eles passarão…

eu passarinho.”

Talento reconhecido no mundo

Kobra é um dos mais reconhecidos artistas brasileiros e, nos Estados Unidos, já criou 50 murais em diferentes cidades. Somente em Nova York, já são 19 obras no cenário urbano – trabalho que lhe rendeu o reconhecimento como uma das personalidades de 2018 pelo guia Time Out. Um dos murais mais icônicos é o de Michael Jackson, que abrange cinco andares na lateral de um edifício na esquina da East 11th Street com a First Avenue.

Natural de São Paulo, o artista também desenvolveu seus painéis nas ruas da capital paulista. Entre eles estão a pintura do arquiteto Oscar Niemeyer e de Albert Einstein. Ao todo, são aproximadamente 500 murais espalhados pelo mundo, também em países como Portugal, Espanha, Holanda e Suécia.

                                     (Do blog da Revista Living)