segunda-feira, 5 de maio de 2014

Histórias do Brasil



Bandeira do Brasil no céu e num rio da Amazônia


Þ Assis Chateaubriand, o legendário homem de imprensa, estava no Egito acompanhado por sua entourage jornalística: redatores, repórteres, editores e fotógrafos. Na equipe, ainda nem pai de Bruno Barreto e nem tão reluzente como hoje, Luís Carlos Barreto e sua câmera Leica.
Na volta, Chateaubriand pediu a Luís Carlos que lhe arrumasse a mala. O jovem fotógrafo perguntou ao chefe quais as cuecas usadas para separá-las das limpas. Instrução do Grande Capitão:
- Cheira, meu filho. Cheira.


Þ Raul Mascarenhas no piano, Muchiba no baixo acústico, Bar do Country no Rio. Mascarenhas forcejava para extrair do Essenfelder os acordes de Se todos fossem iguais a você (Tom- Vinicius) e no meio da melodia, empacou. Conseguiu um desafino, um arpejo tresloucado, mas insistiu até agrupar as notas de maneira pelo menos sofrível. Nessa hora voltou-se para o Muchiba:
- Nasceu.
O baixista:
- É. Nasceu aleijado, mas nasceu.


Þ Louis Battistone, arquiteto, morador de Washington, tem ojeriza ao cigarro, charuto, cachimbo, qualquer fumacê. Num ambiente fechado, sala de espera, uma senhora volta-se para ele e consulta:
- O senhor se incomoda se eu fumar?
Resposta e ataque de Louis:
- A senhora se incomoda se eu peidar?


Þ Redação da revista Manchete, nos tempos da rua Frei Caneca. José Carlos Oliveira multiplicava por mil sua rala força de vontade para deixar de fumar, uma luta cotidiana sempre perdida. Raimundo Magalhães Júnior aconselhou:
- Bala. Substitua essa maldição por bala.
E Carlinhos municiou-se com balas às quais chupava com unção e esperança. Nada, o cigarro vencia. Nos intervalos entre os parágrafos de uma matéria, pensamento só acudia com os sinais de fumaça mecânica. O Raimundo e mais um conselho antitabagista.
- Cachimbo. Cachimbo é ótimo.
No fim de dois meses, horrorizado e vencido, Carlinhos apurou que tinha três vícios: cigarro, bala e cachimbo.


Þ O poeta Olegário Mariano, padrinho de batismo pela milésima vez, suportava a arenga latina do padre quando, num dado momento, o pároco lhe perguntou: menino ou menina?
Olegário, apanhado de surpresa, não teve outro recurso a não ser sungar a camisola do bebê que, naquelas alturas da vida, era desprovido de sexo aparente. Afastou os panos que o separavam da revelação e, apurados os fatos, declarou:
- Se não me falha a memória, menina.


Þ Rádio, locutor anunciando com aquela voz locutoral calcada na do Luís jatobá, ídolo de todos eles (juntamente com Ramos Calhelha):
- Senhoras e senhores, acabamos de ouvir Xavier Cugat interpretando Siboney, sob o alto patrocínio das Casas Pernambucana.
Um segundo depois, corrigiu:
- Sssss...

Marcos de Vaconcellos

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