As palavras a seguir têm alguma relação com o significado literal da silaba tônica?
Acuado, recuei, acusar, acusado, culatra, culpa.
Pois acho que certa vez, ví no programa do Jô Soares um etimólogo falando a respeito.
“Acuar” se relaciona com essa palavra, “cu”, pela atitude de um animal rodeado por inimigos de se abaixar, de se apertar contra o chão.
Recuei ‒ trouxe o “cu” para trás;
Acuado ‒ coloquei o “cu” contra a parede.
Acuar: do latim vulgar acculare, acuar, isto é, pressionar animal ou pessoa pelo cullus, designação popular equivalente ao erudito proktós grego, de onde proctologia, especialidade da gastroenterologia que trata das patologias do reto e do ânus.
Acuado, o animal protege o ânus, afinal, como diz o provérbio, igualmente chulo, ‘quem tem cu, tem medo’. Em sentido conotativo, prestou-se a designar o ato de pressionar alguém. O vocábulo chulo aparece embutido também em cueca, cueiro e em recuar.
História das palavras: Etimologia
Mário Eduardo Viaro (USP)
Estudar etimologia requer conhecimentos de muitas línguas e etapas de línguas. O português, por exemplo, tem palavras de origem latina, grega, árabe, tupi, iorubá, entre outras. Além disso, o português medieval não é o mesmo que o do Renascimento ou do Romantismo. Isso promove uma especialização muito grande, uma vez que é possível estudar apenas as etimologias das palavras de origem árabe do português, ou apenas as de origem africana, por exemplo. É possível, ainda, diante de um vocabulário de português medieval, tentar estabelecer etimologias a partir do latim ou fazer reconstruções de suas prováveis etimologias. Poucas coisas trazem mais satisfação e motivação quanto o momento em que entendemos que, por um único radical latino ou grego, dezenas ou até centenas de palavras são explicáveis. Para que esse insight ocorra, é preciso que apresentemos inicialmente quatro conceitos básicos: afixação*, apofonia*, assimilação* e a noção de particípio*, cujos sentidos nos apressamos a explicar. Toda palavra tem um núcleo etimológico que é sua raiz*. Esse termo é sem dúvida alguma uma metáfora botânica. Talvez fosse mais adequado vê-la como um caroço em volta do qual está a fruta. Pequena em relação à palavra, a raiz consiste de uma única sílaba na maior parte das vezes, chegando a ser, não raro, um único som. Há inúmeras discussões a respeito do que vem a ser raiz. Algumas desaparecem ao longo do tempo. Um exemplo disso é a palavra comer¸ cuja raiz latina ed- desapareceu completamente, quando se pensa no termo latino que a gerou (ou seja, comedere). Um radical*, por outro lado, nada mais é do que uma raiz expandida, por meio de pequenas sílabas significativas, ou seja, os afixos*. Esse processo se chama afixação*. Os afixos podem vir antes da raiz e aí serão prefixos*, ou depois da raiz, ou seja, os sufixos*. Há inúmeros outros procedimentos (infixos, redobros etc.), mas eles são de menor importância para estudos de etimologia do português.
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A origem da palavra professor vem do latim “professus”, que significa “aquele que declarou em público”. Ela nasceu do verbo “profitare”, professar em português, ou seja, “declarar publicamente ou afirmar perante todos”. Os primeiros registros escritos da palavra são do século XIV na Inglaterra.
Uma outra curiosidade é que ela tem a mesma raiz etimológica que “profissão”. E isso não acontece por acaso! Professor é a primeira das profissões, já que todas as outras só podem existir quando há professores para ensiná-las.

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