Um Ser de luz*
Paulo César Pinheiro / Mauro Duarte / João Nogueira
Um dia,
Um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior,
E o menino Deus lhe abençoou,
De manto branco ao se batizar,
Se transformou, num sabiá.
Dona dos versos de um trovador,
E a rainha do seu lugar.
Sua voz, então,
Ao se espalhar,
Corria chão,
Cruzava o mar,
Levada pelo ar.
Onde chegava
Espantava a dor
Com a força do seu cantar,
Mas aconteceu, um dia,
Foi que o menino Deus chamou,
E ela se foi pra cantar
Para além do luar,
Onde moram as estrelas,
E a gente fica a lembrar,
Vendo o céu clarear,
Na esperança de vê-la, sabiá,
Sabiá,
Que falta faz tua alegria,
Sem você, meu canto agora é só
Melancolia,
Canta, meu sabiá, voa, meu sabiá,
Adeus, meu sabiá, até um dia.
Canta, meu sabiá, voa, meu
sabiá,
Adeus, meu sabiá, até um dia.
*******
Música feita por três compositores, sendo um deles, Paulo César Pinheiro, viúvo da homenageada, casados de 1975 a 1983, para saudar a cantora Clara Nunes, que havia falecida numa cirurgia.
Portanto a música é uma homenagem poética e emotiva à Clara Nunes, 12.08.1942 – 2.4.1983, uma das maiores cantoras da música brasileira. A letra narra a trajetória de um ser iluminado que nasceu em uma cidade do interior e foi abençoado por Deus, simbolizando Clara Nunes e sua origem humilde em Minas Gerais. A referência ao 'manto branco' e à transformação em 'sabiá' remete à pureza e à beleza do canto da artista, que se tornou uma figura icônica e uma verdadeira rainha em seu meio.
A voz de Clara Nunes, representada pelo sabiá, é descrita como algo que transcende fronteiras, levando alegria e alívio por onde passa. A metáfora do sabiá, um pássaro conhecido por seu canto melodioso, é uma forma de exaltar a capacidade de Clara de tocar os corações com sua música. A letra também aborda a dor da perda, quando 'o menino Deus chamou' e ela partiu para cantar 'para além do luar', sugerindo sua morte e a crença de que ela continua a brilhar no céu, entre as estrelas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário