Muitos destes tive o grande prazer de conhecer e curtir, pois ficava no meu caminho de idas e vindas para a PUCRS. Ou pegava o Opalão no garajão da Marechal Floriano, ou ia com o meu Amigão Paulo Tusi Mann, no fuscão preto o qual era guardado no edifício Fantasma da Duque em diagonal ao histórico Hotel Everest.
Nas décadas de 1960, 70 e 80, os bares noturnos tinham um papel importante na cidade de Porto Alegre. Lugares como o Clube dos Cozinheiros, Batelão, Pandeiro de Prata, Gente da Noite, Varanda, Varandão, Canecão do Sul, Sheik, Vinha D’Alho e Chão de Estrelas eram “templos culturais”, com muita bebida, comida, conversas e risadas.
Naquela época, existia o Adelaide’s Bar, um boteco localizado na rua Marechal Floriano, entre as ruas Duque de Caxias e Jerônimo Coelho, onde os clientes eram atendidos pela proprietária, a bela Adelaide Dias. Em dois anos de existência o bar ficou famoso, só no boca a boca. Aos poucos, a clientela foi chegando, com a ajuda do mestre Lupicínio Rodrigues, que convidava músicos, boêmios e poetas, responsáveis pelo perfil cultural do local. Para a Adelaide ele compôs a música “A dona do bar”. O Johnson era o cantor de quase todas as noites, acompanhado pelo Jessé Silva ao violão.
O Lupicínio cantava seguidamente a Guarânia “Judiaria”, a qual fez muito sucesso, também, com a cantora Nalva Aguiar.
Artistas como Ângela Maria, Beth Carvalho, Nelson Gonçalves também passaram pelo Adelaide’s.
Em
1971, Adelaide decidiu ampliar o espaço. Surgiu então o bar e restaurante Chão de Estrelas, na rua José do
Patrocínio. O Clube da Saudade, sua
última casa noturna, foi inaugurado em 1978. Ficava próximo da praça Garibaldi,
também no bairro Cidade Baixa.
Foto de autor desconhecido – Clube da Saudade, década de 1980. Adelaide Dias, ao centro, de turbante branco, cercada pelos cantores Johnson, o primeiro à esquerda e Jamelão, o segundo à esquerda e pelo empresário Abraham Lerrer, à direita e sua esposa, Nancy.
(Rio Grande Antigo)

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