terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

MÃE

 Barreto Coutinho

Mãe – alma querida e santa −

astro de divino brilho,

cuja luz a treva espanta

dos dissabores do filho.

 

Mãe – criatura tão cara,

do filho o mais santo altar... −

Quem perde essa gema rara

nunca mais há de encontrar!

 

Mesmo as aves, essa eterna

verdade mostram nos ninhos:

que se fez a alma materna

de amor, ternura e carinhos.

 

Quando a sorte me arremessa

às mágoas, elas têm fim,

pois minha mãe nunca cessa

de pedir a Deus por mim.

 

Uma vez vi-a rezando

aos pés da Virgem Maria.

Era uma santa escutando

o que outra santa dizia...

 

Se uma coisa me tortura

e o pranto aos olhos me vem,

minha mãe – santa criatura

chora comigo também!

 

E então nos seus olhos leio

meu pranto o que há lhe causado:

– Só mágoas ao santo seio

que a dor tem santificado!

 

Por vossa infinda bondade,

Deus que eu creio e reconheço,

dai, pois, a mais longa idade

ao ser que eu tanto estremeço! 

Ermínio Barreto Coutinho da Silveira nasceu em Limoeiro do Norte, Pernambuco, em 30 de junho de 1893, falecido em 31 de agosto de 1975, médico atuante, veio a se tomar um dos nomes mais conhecidos da Trova brasileira. Por muito tempo se discutiu sobre a autoria da famosa trova «eu vi minha mãe rezando», ate que pesquisas realizadas pela própria UBT confirmaram ser ele o autor.

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