Barreto Coutinho
Mãe
– alma querida e santa −
astro
de divino brilho,
cuja
luz a treva espanta
dos
dissabores do filho.
Mãe
– criatura tão cara,
do
filho o mais santo altar... −
Quem
perde essa gema rara
nunca
mais há de encontrar!
Mesmo
as aves, essa eterna
verdade
mostram nos ninhos:
que
se fez a alma materna
de
amor, ternura e carinhos.
Quando
a sorte me arremessa
às
mágoas, elas têm fim,
pois
minha mãe nunca cessa
de
pedir a Deus por mim.
Uma
vez vi-a rezando
aos
pés da Virgem Maria.
Era
uma santa escutando
o
que outra santa dizia...
Se
uma coisa me tortura
e
o pranto aos olhos me vem,
minha
mãe – santa criatura
chora
comigo também!
E
então nos seus olhos leio
meu
pranto o que há lhe causado:
–
Só mágoas ao santo seio
que
a dor tem santificado!
Por
vossa infinda bondade,
Deus
que eu creio e reconheço,
dai,
pois, a mais longa idade
ao ser que eu tanto estremeço!
Ermínio
Barreto Coutinho da Silveira nasceu
em Limoeiro do Norte, Pernambuco, em 30 de junho de 1893, falecido em 31 de
agosto de 1975, médico atuante, veio a se tomar um dos nomes mais conhecidos da
Trova brasileira. Por muito tempo se discutiu sobre a autoria da famosa trova
«eu vi minha mãe rezando», ate que pesquisas realizadas pela própria UBT
confirmaram ser ele o autor.

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