Zuzu Angel e seus filhos, à direita Stuart Angel Jones torturado e assassinado pelo regime militar.
Oh, pedaço de mim,
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar,
Que a saudade é o pior
tormento,
É pior do que o esquecimento,
É pior do que se entrevar.
Oh, pedaço de mim,
Oh, metade exilada de mim,
Leva os teus sinais,
Que a saudade dói como um
barco,
Que aos poucos descreve um
arco,
E evita atracar no cais.
Oh, pedaço de mim,
Oh, metade arrancada de mim,
Leva o vulto teu,
Que a saudade é o revés de um
parto,
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu.
Oh, pedaço de mim,
Oh, metade amputada de mim,
Leva o que há de ti,
Que a saudade dói latejada,
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi.
Oh, pedaço de mim,
Oh, metade adorada de mim,
Lava os olhos meus,
Que a saudade é o pior
castigo,
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor,
Adeus.
* Um dos poemas-canção mais tristes do Chico Buarque e foi dedicado à Zuzu Angel que teve seu filho assassinado pelo regime militar.
A música “Pedaço de Mim”, de Chico Buarque, é uma homenagem à estilista Zuzu Angel e às mães que perderam filhos vítimas de violência. A canção foi composta para a peça teatral Ópera do Malandro, composta por Chico Buarque no final da década de 1970.
A música descreve a sensação de ter algo essencial arrancado de si, algo que é sentido como uma parte integral do ser. A repetição do verso “Oh, pedaço de mim” enfatiza a ideia de incompletude e de um vazio deixado pela ausência de alguém muito querido.
P.S. Outra tragédia de uma família brasileira que daria um bom livro e deste um bom filme. E ainda há energúmenos que querem a volta de regime ditatorial para o Brasil. Tem mais e que serem presos!

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