Estive na casa do meu pai esta semana quando ele disse:
‒ Deixe-me mostrar-lhe a diferença entre o agora e o depois… com apenas dois objetos.
Ele voltou com dois prendedores de roupa. Um, feito nos anos 60. O outro, fabricado em 2025.
O primeiro, à esquerda da foto acima, era de madeira densa, possivelmente ácer ou faia. Tinha peso, textura, e calor. Ainda funcionava perfeitamente ‒ sessenta anos depois. Era um pedaço de tempo que sobrevivera a gerações.
O segundo, à direita, era leve, de pinho ou choupo. Frágil. A mola parecia pronta para saltar a qualquer momento, embora o anúncio dissesse: “extra durável”.
Um ainda cumpria seu propósito, silenciosamente resistente. O outro, já parecia descartável desde o nascimento.
Um sobreviverá por mais décadas. O outro logo terminará num aterro sanitário.
Na palma da mão, dois objetos.
E entre eles, a história de um mundo que trocou durabilidade por pressa, solidez por aparência, permanência por conveniência.
Às vezes, a linha do tempo não está nos livros ‒ mas escondida em coisas simples que usamos sem pensar.
Sobre literatura?
O prendedor de roupas (também conhecido como pregador ou pegador no Brasil ou mola em Portugal), é um utensílio de uso doméstico, caracterizado como um instrumento utilizado usualmente para fixar melhor as roupas no varal, todavia, possuindo inúmeros outros usos. O prendedor de roupa foi considerado a 100ª maior invenção da história da humanidade pelo jornal inglês The Telegraph, dada a sua importância no cotidiano da maior parte das pessoas. Foi criado da forma atual em 1853.
Inicialmente, foi concebido como uma peça de madeira inventada pela comunidade Shaker em 1700. Nas lavanderias dessa época era utilizado para pendurar roupas em arbustos, galhos ou linhas para secar, mas não existem evidências conhecidas em pinturas ou gravuras da época retratando os prendedores de roupa em si. Apesar do inventor do objeto ser desconhecido e não haver nenhuma patente requerida, estima-se que entre 1852 e 1887 mais de 146 versões de prendedores de roupas foram criadas.
Hoje, os prendedores de roupas são de fabricação muito barata através da criação de dois pinos de plástico ou madeira interligados, entre os quais, muitas vezes, é fixado uma mola. Este modelo foi inventado por David M. Smith de Springfield, Vermont, em 1853. O modelo de Smith foi aperfeiçoado por Solon E. Moore em 1887. Ele acrescentou o que ele chamou de “ponto de apoio em espiral” feita a partir de um único fio.
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