Felicidade, deves ser bem
infeliz,
Andas sempre tão sozinha,
Nunca perto de ninguém.
Felicidade, vamos fazer um trato,
Manda ao menos teu retrato
Pra que eu veja como és.
Estejas bem certa, porém,
Que o destino bem cedo fará
Com que teu rosto eu...
Eu vá esquecer.
Felicidade, não chore,
Que, às vezes, é bom
A gente sofrer...
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A canção “Felicidade Infeliz” de Maysa, lançada em 1966 no álbum “O Coração Não Tem Idade”, não é uma composição original. Ela é uma interpretação da versão em português da canção “In the Happy, Happy, Happy, Happy Place” do musical “The Sound of Music”, popularmente conhecida como “O Mundo Feliz”. Maysa escolheu a música para o álbum, que abordava temas como o amor, a tristeza e a busca pela felicidade, refletindo a sua própria vida e estado emocional da época. “Felicidade Infeliz” de autoria de Maysa, gravação de seu LP “Convite para ouvir Maysa nº 2”, de 1958.
Ela abandonou o lar – num tempo que isso era um escândalo – para poder seguir o sonho de ser cantora. Maysa tornou-se dona de um dos repertórios mais melancólicos da música brasileira, e sua voz grave virou sinônimo de dor de cotovelo, de música de fossa. Dada a arroubos, sabia ser gentil e dar amor como poucos, mas também ia ao fundo do poço com as separações. “Minhas músicas refletiram meu estado de alma, minha tristeza e solidão. Nunca consegui compor nada alegre”.
No comecinho de 1977 recebeu a notícia de que seria avó. Encheu-se de alegria pela novidade, mas continuava triste com todas as outras coisas da vida. Para piorar, os remédios que tomava para emagrecer não a deixava dormir há dias. Entrou em sua Brasília e seguia do Rio a Maricá, mas não chegou a passar a ponte Rio-Niterói. O acidente em 22 de janeiro de 1977 abreviava a vida de uma das personalidades mais singulares da música brasileira. Ela tinha apenas 40 anos. No seu diário, uma das últimas anotações era: “Tenho 40 anos. 20 de carreira. Sou uma mulher só. O que dirá o futuro?”


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