... que ainda vivem juntos.
Imagine um barco cujos tripulantes são pai, mãe e filhos. A tragédia seria o barco afundar e todos morrerem afogados. De repente, começa a entrar água no barco. Então o marido ou a mulher, em vez de ajudar a tirar a água, começa a reclamar com o cônjuge: “Antes de sair você não verificou se o barco estava bem vedado?” Enquanto isso, o outro tira a água freneticamente. Essa não é uma família, é apenas um agrupamento de pessoas. Elas estão juntas na mesma situação, mas não unidas.
Se a esposa está com problemas em casa e, em vez de ajudá-la, o marido a critica, não está fazendo nada para melhorar. Se ele vai mal na empresa, está sob ameaça de desemprego, e ela o desqualifica, isso em nada contribui para tirá-lo do buraco.
Quando o filho vai mal na escola, há pai que, em vez de ajudá-lo a superar as dificuldades, culpa a esposa. Se o filho lhe responde mal, em vez de pedir explicações ao filho, cobra da mulher: “Tá vendo como está seu filho? Também você não para em casa”. Por sua vez, ela retruca: “Você é o culpado porque nunca deu atenção aos filhos, seu egoísta e omisso!” E vai daí para pior... Isto é, o barco vai para o fundo.
Se o filho está infeliz porque brigou com a namorada, o pai lhe oferece dinheiro para ir ao shopping e a mãe o consola: “Não tem importância, mamãe te ama”. Nem o pai nem a mãe perceberam o sofrimento afetivo do filho. O pai tenta compensá-lo materialmente e a mãe se julga a pessoa mais importante na vida do filho...
Não tem importância que um ou outro membro da família não saiba tirar a água que invade o barco. Em momentos difíceis, eles devem unir forças para não deixar o barco afundar. Essa é uma família.
Nas últimas décadas, essa instituição vem enfrentando inúmeros desafios, que muitas vezes pegam de surpresa mãe, pai e filhos. Atravessar tormentas sem afundar ou, pelo menos, evitar que os passageiros se afoguem exige maturidade do casal.
(Trecho do livro “Quem ama, educa!” de Içami Tiba)

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