terça-feira, 3 de junho de 2025

Livro que jamais será reeditado:

 

Hoje, 29-05-25, li em O Globo, página inteira assinada por Luiz Fernando Vianna, que festeja os 90 anos do grande jornalista e pesquisador João Máximo, de quem sou leitora desde os tempos do saudoso JB. Mas um trecho da entrevista me deixou perplexa. Máximo avisa que, mesmo quando morrer, continuará ‒ pela ação de seus herdeiros ‒ impedindo a reedição de “Noel Rosa, uma biografia”, que ele escreveu com Carlos Didier e que a Editora UnB (editora de minha alma mater, a UnB ‒ Universidade Brasília) editou com essa linda capa acima, pois não aceita que se mexa no livro. Leiam suas palavras, transcritas por L. F. Vianna. Até hoje não entendo o que se passou entre Máximo e Didier, para manter ódio tão prolongado. Que poderá ultrapassar a morte! Alguém poderia me esclarecer o que está no âmago de tamanha (e tão duradoura) divergência? 

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O que acontece é que o João Máximo, com quem trabalhei na redação do Globo e na diretoria da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), é um sujeito vaidoso e egocêntrico ao extremo. Em todas as entrevistas sobre o livro, ele não citava o nome do Carlos Didier, dando a entender que escrevera o livro sozinho e, na verdade, grande parte das pesquisas foi feita por Carlos Didier. Quando eu fiz uma matéria para o Jornal da ABI, nos 100 de nascimento de Noel, ele deixou de falar comigo, depois que soube que a matéria fora muito elogiada pelo presidente da entidade, Maurício Azêdo. Como se Noel Rosa fosse uma exclusividade dele. Pelo que eu sei esse foi um dos motivos do desentendimento entre os dois. Mas tem algo errado aí, porque uma decisão do Gilmar Mendes, no STF, acabou com essa apropriação de herdeiros sobre obras de parentes, que muitas vezes nem conheceram, como é o caso das sobrinhas de Noel, que nunca viram o tio. Creio que o verdadeiro motivo é o financeiro, esse livro hoje em dia seria quase inviável comercialmente, em função do preço. 

Arcírio Gouvêa Neto 

(...) quando os autores, João Máximo e Carlos Didier decidiram unir as pesquisas que vinham empreendendo separadamente. João Máximo como jornalista e crítico do Jornal do Brasil e Carlos Didier como cantor, violonista e pesquisador do conjunto Coisas Nossas. Assim, naquele primeiro mês de 1981, no mesmo quarteirão onde nasceu, viveu e morreu Noel Rosa, em Vila Isabel, começou a ser elaborada a quatro mãos e duas cabeças a mais completa biografia já escrita sobre um compositor brasileiro. 

Fragmento do texto da orelha do livro:

“Noel Rosa uma biografia”

Editora UnB


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