domingo, 29 de junho de 2025

Miss suéter

 Aldir Blanc e João Bosco

Fascínio tenho eu
Por falsas louras,
Ai, a negra lingerie,
Com sardas,
Sobrancelha feita a lápis
E perfume da Coty.

Na boca,
Dois pivôs tão graciosos,
Entre joias naturais,
E olhos tais minúsculos aquários
De peixinhos tropicais.
 

Eu conheço uma assim,
Uma dessas mulheres
Que um homem não esquece.
Ex-atriz de TV,
Hoje é escriturária do INPS.
E que, dias atrás,
Venceu lá o concurso de Miss Suéter.
 

Na noite da vitória,
Emocionada, entre lágrimas, falou:
“Nem sempre a minha vida foi tão bela,
Mas o que passou, passou.
Dedico esse título à mamãe
Que tantos sacrifícios fez
Pra que eu chegasse aqui, ao apogeu
Com o auxílio de vocês”.
 

Guardarei para sempre
Seu retrato de miss com cetro e coroa,
Com a dedicatória que ela,
Em letra miúda, insistiu em fazer:

“Pra que os olhos relembrem
Quando o teu coração infiel esquecer”.
 

******* 

A Beleza Efêmera e a Luta de Miss Suéter 

A música 'Miss Suéter' com música de João Bosco e letra de Aldir Blanc é uma narrativa poética que explora a vida de uma mulher que, apesar das adversidades, alcança um momento de glória ao vencer um concurso de beleza. A letra começa descrevendo o fascínio do narrador por uma mulher com características específicas, como cabelo loiro falso, sardas, sobrancelhas desenhadas a lápis e um perfume marcante. Esses detalhes pintam um retrato de uma mulher que se esforça para manter uma aparência idealizada, talvez para se adequar a padrões de beleza impostos pela sociedade. 

A canção segue revelando que essa mulher, uma ex-atriz de TV que agora trabalha como escriturária do INPS, venceu um concurso de Miss Suéter. A vitória é um momento de grande emoção para ela, que, entre lágrimas, dedica o título à sua mãe, reconhecendo os sacrifícios feitos para que ela pudesse alcançar esse 'apogeu'. Esse trecho da música destaca a importância do apoio familiar e os desafios enfrentados por muitas mulheres para alcançar seus sonhos, mesmo que esses sonhos sejam moldados por expectativas externas. 

A dedicatória final, escrita em letra miúda, é um lembrete melancólico da efemeridade da beleza e do sucesso. A frase 'Pra que os olhos relembrem quando o teu coração infiel esquecer' sugere que, apesar do momento de glória, a memória e o reconhecimento podem ser fugazes. A música, portanto, não só celebra a vitória de Miss Suéter, mas também reflete sobre a transitoriedade da fama e a luta constante por validação e reconhecimento em uma sociedade que valoriza a aparência acima de tudo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário