domingo, 5 de outubro de 2025

Camarim

 Cartola e Hermínio Bello de Carvalho

No camarim, as rosas vão murchando

E o contrarregra dá o último sinal.

As luzes da plateia vão se amortecendo

E a orquestra ataca o acorde inicial.                                             

No camarim nem sempre há euforia,

Artista de mim mesmo nem posso fracassar.

Releio os bilhetes pregados no espelho,

Me pedem que jamais eu deixe de cantar. 

Caminho lentamente e entro em contraluz,

E a garganta acende um verso sedutor.

O corpo se agita e chove pelos olhos,

E um aplauso escorre em cada refletor. 

Pisando esta ribalta, cantando pra vocês,

De nada sinto falta, sou eu mais uma vez.

As rosas vão murchar, mas outras nascerão,

Cigarras sempre cantam, seja ou não verão. 

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A canção 'Camarim', música de Cartola (1908-1980) e letra de Hermínio Bello de Carvalho (1935), é uma reflexão poética sobre a vida do artista e a efemeridade da arte. A letra começa descrevendo o ambiente do camarim, onde as rosas murcham e o contrarregra dá o último sinal, simbolizando o fim de um ciclo e o início de outro. As luzes da plateia se amortecem e a orquestra inicia, criando uma atmosfera de expectativa e transição. Esse cenário reflete a preparação e a tensão antes de uma apresentação, onde o artista se encontra em um estado de introspecção e vulnerabilidade. 

No segundo verso, Cartola e Hermínio abordam a complexidade emocional do artista. Eles mencionam que no camarim nem sempre há euforia, destacando que a vida de um artista é repleta de altos e baixos. A frase 'Artista de mim mesmo nem posso fracassar' sugere uma luta interna, onde o artista é seu próprio crítico mais severo. Os bilhetes pregados no espelho pedindo para que ele nunca deixe de cantar representam o apoio e a expectativa do público, que serve como um lembrete constante de sua responsabilidade e paixão pela música. 

À medida que a música avança, Cartola e Hermínio descrevem o momento em que o artista entra no palco, onde a 'garganta acende um verso sedutor' e o corpo se agita, mostrando a transformação que ocorre quando o artista se apresenta. O aplauso que 'escorre em cada refletor' simboliza a conexão e a troca de energia entre o artista e o público. A letra termina com uma nota de esperança e continuidade, afirmando que, embora as rosas murchem, outras nascerão, e as cigarras sempre cantarão, independentemente da estação. Isso sugere que a arte é eterna e que a vida continua, com novos ciclos e oportunidades para florescer. 

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P.S. Escute essa música na voz de Beth Carvalho.

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