(08.05.1924 – 08.07.2011)
Estatuto da Gafieira
Moço,
Olha o vexame,
O ambiente exige respeito.
Pelos estatutos
Da nossa gafieira
Dance a noite inteira,
Mas dance direito.
Aliás,
Pelo artigo 120,
O distinto que fizer o seguinte:
Subir na parede,
Dançar de pé pro ar,
Debruçar-se na bebida sem querer pagar,
Abusar da umbigada,
De maneira folgazã,
Prejudicando hoje
O bom crioulo de amanhã,
Será distintamente censurado,
Se balançar o corpo
Vai pra mão do delegado.
Tá bem, moço?
Olha o vexame, moço!
Estatuto de Boite
Gafieira de gente bem é boate,
Onde a noite esconde a bobagem
Que acontece.
Onde o uísque lava qualquer
Disparate,
Amanhã um sal de fruta
E a gente esquece.
Vamos com calma.
Olha o respeito.
Trate do corpo
Que a alma
Não tem mais jeito.
O estatuto não prevê,
Mas eu lhe digo:
Traga a sua mulher de casa
E deixe em paz a do amigo,
Gafieira de gente bem é boate.

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