segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Poema do Idoso

 Jairo Valio

Se meu andar é hesitante e minhas mãos trêmulas, ampare-me. 

Se minha audição não é boa e tenho de me esforçar para ouvir o que você está dizendo, procure me entender. 

Se minha visão é imperfeita e o meu entendimento escasso, ajude-me com paciência. 

Se minha mão treme e derrubo comida na mesa ou no chão, por favor, não se irrite, tentei fazer o que pude. 

Se você me encontrar na rua, não faça de conta que não me viu. Pare para conversar comigo. Sinto-me só. 

Se você, na sua sensibilidade, me vir triste e só, simplesmente partilhe comigo um sorriso e seja solidário. 

Se lhe contei pela terceira vez a mesma história num só dia, não me repreenda, simplesmente ouça-me. 

Se me comporto como criança, cerque-me de carinho. 

Se estou com medo da morte e tento negá-la, por favor, ajude-me na preparação para o adeus. 

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