Acabar-se
depressa como sabão em mão de lavadeira.
Agoniado como cobra quando perde a peçonha.
Andar depressa como quem vai tirar o pai da forca.
Andar devagar como quem procura com os pés penico no escuro.
Andar ligeiro que só peba em areia frouxa.
Apanhar que nem couro de pisar tabaco.
Apertado que só um pinto num ovo.
Aumentar como correia no fogo. (diminuir)
Besta como aruá.
Café
fraco que nem lavagem de espingarda.
Calça curta que só calça de pegar marreca.
Calça frouxa que nem calça de saltar riacho.
Caro que nem ovo em tempo de quaresma.
Chorão que nem bezerro desmamado.
Chorar que nem mamão verde cortado.
Crescer pra baixo como rabo de cavalo. (ser rebaixado)
Demorar-se
pouco como quem vai buscar fogo.
Depressa como quem furta.
Desarrumado como gaveta de sapateiro.
Desconfiado como cachorro que quebrou a louça.
Desinquieto como galinha quando quer pôr.
Doer que só topada de madrugada.
Durar pouco que nem manteiga em venta de cachorro.
Encarnado
como um fita.
Engordar da noite pro dia que nem cachorro.
Entrar macio que só colher em mamão maduro.
Fala
atrapalhada como de periquito em roça de milho novo.
Falar mais que pobre no sol, ou falar mais que o preto do leite.
Feio como a justiça do diabo, ou como a necessidade.
Furado que nem renda de papelão.
Gente muita como pomba de bando em bebida, ou
que nem bosta de cabrito em porta de igreja.
Gostar tanto duma coisa como pulga de cós de saia.
“Infalive”
como doce de mamão em festa de pobre.
Magro
como uma imagem, ou magro como cavado de aroeira.
Malcriado como rapariga de soldado em portão de feira.
Medroso como boi do c... branco.
Medroso que nem sonhim. (sagui)
Mentiroso como cachorro de preá, ou como espingarda pica-pau.
Mole que nem linguiça crua.
Padecer
que só sovado de aleijado em muleta.
Pasto pequeno que um periquito come de cóca. (cócoras)
Pelado que só caçote, ou garrafa.
Perverso que só jararaca do rabo fino.
Rede
alta que só rede de esperar veado.
Rente como boca de bode.
Resistente que só cascavel de quatro ventas.
Rio seco que não tem água que dê nos peitos dum peba.
Ruim que nem um jerimum cheio de água.
Seco
que nem língua de papagaio.
Ser por uma coisa como peba é por defunto, e
pinto é por pé de cerca. (apreciar, gostar)
Sofrer
que só pé de cego em porta de igreja.
Sono leve como o do xexéu.
Suar que só tampa de chaleira.
Sujo como boi barroso com disenteria. (O boi barroso é alvacento)
Tão
besta que, pra ser burro, só falta estercar redondo.
Teimoso como boi de carro, ou como tranqueira de pau torto.
Ter carne nos quartos como sabiá tem nas unhas.
Tremer como folha de catolé babão.
Valente
que nem cobra de resguardo.
Velho como o chão.
Velho e barbado como dom Pedro II.
Viagem aperreada como de bacorinho em caçuá.
Vomitar que nem urubu novo.
Zangado
como caititu quando bate os queixos.
Zoada grande como de fogo em tabocal.
“Adagiário brasileiro”,
de Leonardo Mota
Belo Horizonte,
Editora Itatiaia, 1987
Leonardo Mota (Leonardo Ferreira da Mota), jornalista e folclorista, nasceu em Pedra Branca CE, em 10/5/1891, e faleceu em Fortaleza CE, em 2/1/1948. Formou-se pela Faculdade de Direito do Ceará, em 1916.

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