Nílson Souza
Depois de 40 dias e 40 noites ‒ ou muitos mais ‒ recebendo vídeos engraçadinhos, mensagens indesejadas e outros despautérios digitalizados, resolvi escalar um Monte Sinai virtual e pedi ao Senhor GPT que me ajudasse e formular dez mandamentos para usuários de internet e redes sociais, mantendo o espírito ético e moral dos originais bíblicos. Recebi o que solicitei. Ele não gravou em pedra, mas os artigos ficaram tão espirituosos e adequados que me permito compartilhá-los com os leitores deste espaço. Aí vão:
1. Amarás a verdade acima de todas as curtidas.
Não idolatres seguidores, fama ou algoritmos ‒ valoriza o que é verdadeiro, não o que é viral.
2. Não usarás o nome alheio em vão.
Evita perfis falsos, calúnias e o uso indevido de imagens, vozes ou identidades de outras pessoas.
3. Guardarás um tempo offline.
Desconecta-te aos domingos (ou quando possível) para lembrar que há vida além da tela e conexões que não dependem de Wi-Fi.
4. Honrarás teus pais ‒ e também teus avós ‒ nas redes.
Ensina-os com paciência, protege-os de golpes e respeita suas opiniões, mesmo quando digitadas em caixa alta.
5. Não matarás com palavras.
Comentários cruéis, humilhações e cancelamentos ferem tanto quanto armas. Usa o teclado com empatia.
6. Não pecarás contra a privacidade.
Respeita os limites da intimidade alheia: o que é pessoal, permanece pessoal ‒ mesmo que dê muitos views.
7. Não furtarás conteúdo.
Credita sempre o autor, o fotógrafo, o artista, o criador. A internet é de todos, mas o trabalho tem dono.
8. Não levantarás fake news.
Antes de compartilhar, verifica. A mentira digital pode destruir reputações reais.
9. Não desejarás o perfil do próximo.
Não invejes a vida editada dos outros ‒ ninguém posta os dias nublados no feed.
10. Não cobiçarás os likes alheios.
Busca conexões sinceras, não validação
numérica. A melhor curtida é a paz interior.
P.S. (ou P.GPT.): Em respeito ao sétimo mandamento do decálogo tradicional ‒ e também desta sátira ‒, reitero que não sou o autor de nenhuma dessas pérolas. Apenas fiz a provocação.
(Do jornal Zero Hora, 21.10.2025)

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