domingo, 26 de outubro de 2025

Duelo de Adagas

 Letra de Luiz Coronel e Música de Éwerton Ferreira

Imagem da internet

Eram dois irmãos calados

‒ um tropeça e outro cai ‒

o queixo duro da mãe,

o mesmo silêncio do pai. 

       As fainas do dia a dia

       carregavam ombro a ombro.

       E tão bem se entendiam

       qual o vulto e sua sombra. 

Apostavam no mesmo baio,

mateavam horas a fio.

No mundo não há quem explique

as razões do desafio. 

       Por questões de sesmarias

       ou por afago de fêmea?

       Ou quem sabe o braço afoito

       ou mesmo a boca blasfema? 

Beberam jarras de ódio,

comeram rações de avareza.

A loucura e a ganância

sentaram na mesma mesa. 

      Poncho atado um no outro

      e as adagas de um bom corte.

      Enlaçados pelo ódio,

      abraçados pela morte. 

Duas vertentes de sangue

se encontraram logo em seguida.

Nem mesmo a morte separa

os rumos daquelas vidas 

Do Caderno Sábado, Correio do Povo, 25.10.2025

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